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Guerra na Paleta de Cores!!

por Alice, em 27.05.09

                          

 

 

 

 

Era uma vez uma Paleta de Cores que vivia em guerra contra os Cinzentos e os Pretos.

 

Embora fizessem todos parte da grande família das Cores, os Negros não se entendiam com as restantes, não gostavam da vida alegre e feliz que as Cores tinham.

 

Ora que aconteceu foi o seguinte: os Negros conseguiram não se sabe muito bem como, o acesso à Fábrica da Cor, o sítio onde todas as cores são feitas na sua mais pura cor e começaram a sabotar. De cada vez que lá íam, os Amarelos tornavam-se um bocadinho mais escuros, o mesmo acontecia com os Azuis, com os Verdes, com todas as cores e isto porque a Fábrica entrou em greve e os Humanos já lá não iam há cerca de uma semana.

 

Havia ainda um outro problema, é que era preciso meter ordem na Paleta de Cores. Era necessário que uma delas ou um conjunto organizado de Cores se unissem para fazer frente aos Negros.

 

Posto isto, o Branco, que é a junção de todas as cores, uma espécie de sábio dentro da Paleta, todas as Cores o respeitam e que sempre se quis manter à parte daquela guerra absurda, disse:

 

- Nós, independentemente da cor que temos, não existimos uns sem os outros. A maior parte de nós é a junção de uma ou mais cores excepto ali o Azul, o Amarelo e o Vermelho, esses são puros, são as cores primárias. Todo o resto da Paleta deriva de um ou mais deles e eu sem vocês todos também não existia. Temos que arranjar forma de não deixar que os Negros tenham acesso à Fábrica, temos que fazer vigílias e impedir que eles cheguem lá e esperemos que os Humanos não fiquem em greve durante muito mais tempo. Só eles conseguem meter os Negros no sítio.

 

- Eu proponho-me a organizar um exército para combater os Negros. Eu sou o comandante porque já fui atingido, fui o primeiro. Mas não sei o que é que eles têm contra mim, eu até me dava muito bem com o Cinzento, eramos amigos.  Estou tão triste!!!- disse o Vermelho.

O vermelho era o amor, a força, a paixão, a revolução, o perigo e, era uma das cores dos semáforos. Por tudo isto ele julgava-se a cor superior, o supra sumo das cores. Claro que cada cor se achava superior às outras e logo ali começou um valente bate-boca com todas as cores a insurgirem-se contra todas as outras.

 

- E porque é que hás-de ser tu o comandante? Eu sou a natureza, a Primavera, a juventude, a fertilidade, a esperança. O mundo está repleto de espaços verdes, o mar é verde...

 

- Ai não é não, o mar é azul como eu. Eu sou a confidência, a harmonia, a liberdade, a saúde....

 

- Pois e também és muito monótono, desculpa lá a franqueza disse a Magenta. Eu sou a luxúria, a sofisticação, a feminilidade, o desejo, a sensualidade.

 

- Eu sou rápido, posso aniquilar os Negros num instante. Sou o mais valioso de todos nós, sou a cor do Ouro, sou alegria,  optimismo - disse o Amarelo.

 

- Eu estou próximo de Deus, sou espiritual, sou criativo e sou a dor também. Acho que os Negros me temem! Eu sou a cor indicada para acabar com a nossa aniquilação.- disse o Violeta.

 

A discussão continuou, todas as Cores disseram que se achavam as mais indicadas para comandar um "exército" para evitar o seu escurecimento. Veio o Laranja com a sua energia, entusiasmo, criatividade. O Castanho sólido e seguro, rústico, estável e responsável. 

 

O Branco já sem paciência para aquilo tudo, deu um murro na mesa e disse:

 

- Chega!!!!! Ninguém precisa de nenhum comandante, nós só precisamos de evitar que os Negros se  infiltrem na Fábrica. Cada Cor vai ficar responsável pela sua tina e pelas suas gradações. Os Negros só atingem uma Cor de cada vez portanto se uma de vós estiver em perigo só tem que chamar as outras e vamos em seu auxílio.

 

Logo nessa noite, enquanto todas as Cores repousavam nas suas tinas, um pequeno grupo sussurrava lá no fim da Fábrica. Eram os Negros, não ficaram satisfeitos com a decisão do Branco, não gostavam dele por ele ser o sábio, por todos o respeitarem. Assim decidiram nessa mesma noite torná-lo um Cinzento. Lentamente começaram a deslizar rumo à tina do Branco que descansava sereno e em paz.

 

O que os Negros não esperavam era que o Vermelho estivesse alerta: o Vermelho, o Amarelo e o Laranja, todos eles à espreita de qualquer movimentação estranha, de um qualquer barulho suspeito e, rapidamente, aperceberam-se que os Negros vinham danificar mais uma vez a Paleta. Da borda das suas tinas ficaram à espreita a ver quem se estava a aproximar e viram o Preto a aproximar-se sozinho, os outros não vieram.

 

Na Paleta, era histórica o ciúme que existia entre o Preto e o Branco. Se o Branco é a junção de todas as cores-luz, por outro lado, o Preto, é a ausência de luz, absorve-a totalmente. No fundo são quase dois gémeos, embora opostos.  O  Preto queria tirar a coroa da glória ao Branco e tornar-se o supra sumo das Cores; como a Cor que todos respeitam e que todos ouvem.

 

Silenciosamente, o Vermelho, o Laranja e o Amarelo deslizaram das respectivas tinas e foram chamar as outras Cores: vieram todos, o Verde, o monótono Azul, a sensual Magenta, o Castanho... Todas elas deslizaram e rodearam o Preto quase sem ele se aperceber. Ao ver-se rodeado riu-se, riu-se bem alto e disse:

 

- O que é que vocês pensam que vão fazer? Atacar-me? Fazer-me mudar de cor? Só eu tenho essa habilidade, eu posso tornar-vos mais escuros se vocês se atirarem a mim. Não vão mudar-me, vou continuar a ser o mesmo Preto de sempre.

 

-Nós não queremos isso, só estamos a tentar perceber porque é que estás a escurecer-nos? Nunca te fizemos mal, podemos viver em harmonia todos juntos porque sempre o fizemos. Todos nós fazemos falta. Sem todas nós o mundo não era um lugar luminoso, colorido, que os humanos conhecem. Até tu és importante! Não percebo o porquê de tanto rancor. - disse o Branco que entretanto tinha acordado.

 

Nisto chegam os Cinzentos. Toda a gama de cinzentos que existia na Paleta, juntaram-se ao Preto e disseram-lhe:

 

- Preto, eles têm razão, não faz sentido andarmos a escurecermo-nos uns aos outros, ainda por cima eles são mais do que nós. Imagina se eles se juntam e decidem clarear-nos? Nós deixamos de existir. Tu achas que não és respeitado mas és. Todas as cores te respeitam, tu és tão importante para o mundo como qualquer outra Cor. És a classe, a distinção, a elegância, a nobreza. Não olhes para ti como sendo só simbolo de luto e tristeza, maldade, pessimismo.

 

- Têm razão. Desculpem-me a arrogância e o egoísmo. Vamos esquecer este episódio e viver todos em harmonia?

 

- Vamos, disseram todos em uníssono.

 

 

 A vida na  Paleta regressou à normalidade. Entretanto a Fábrica também regressou à labuta normal e nunca os Humanos se aperceberam nem suspeitaram que durante aquela semana o mundo tinha escurecido mais um pouco.

 

(Texto de ficção ecrito por Alice para a Fábrica de Histórias)

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