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Os anónimos.

por Alice, em 09.10.10

Gosto de andar de comboio. Lembro com saudade as viagens diárias que fazia quando trabalhava perto de Aveiro, o comboio regional, que parava em todas as estações a apeadeiros e ia sempre cheio, de manhã e à noite e onde volta e meia aconteciam cenas caricatas.

 

Este Verão fui passar uns dias ao Algarve, como ia sozinha optei por ir de comboio, embora mais caro que o avião, sempre ficava mais barato que ir de carro.

 

Lá fui toda contente a pensar nas cerca de 5 horas que ia passar sozinha, sem ter que conversar, só eu e os meus pensamentos. Para lá a viagem  correu bem. Para cá aconteceu o insólito, o vizinho de "coxia", um senhor com os seus 50 anos, não se calou um segundo, pergunta atrás de pergunta e nem as minhas resposta curtas o detiveram. Começou por perguntar para onde ia, assim que soube que éramos de localidades vizinhas, não parou mais. Queria saber ao pormenor em rua eu vivo porque conhece muito bem a minha terra, quem era a família, o que é que eu fazia, onde trabalhava e por aí adiante. Claro que menti em tudo o que disse, sabia lá bem se o fulano não era um tarado qualquer que me podia vir a dar problemas?

 

Depois passou para a fase "perguntas sobre as férias" para onde tinha ido, onde tinha ficado, onde tinha ido beber copos à noite, onde tinha almoçado... E claro, tudo isto acompanhado pelos relatos efusivos das férias dele. Acho que nem a polícia faria um interrogatório desta forma tão exaustiva.

Ao terceiro olhar de soslaio da rapariga do banco da frente, que com o olhar dizia "como é que tu consegues estar aí a aturar o homem", levantei-me e fui ao bar, onde acabei por ficar boa meia hora, porque não tive lata para dizer que me estava a incomodar, voltei ao banco e aproveitei que ele estava a ler o jornal e fiz de conta que dormi. Quando cheguei à estação, disse que se eu não tivesse boleia para casa, que ele e o sobrinho, que estava à espera dele, me levavam,  gentileza que agradeci e despedi-me com um adeus e fugi porta fora.

 

Não querendo pensar que todas as pessoas que nos atravessam o caminho são más ou maldosas, confesso que achei um bocado falta de chá deste senhor até porque à terceira resposta monossilábica que eu ouvisse do meu interlocutor, eu remeter-me-ia ao silêncio, percebendo que ele queria tudo excepto estar ali a conversar.

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For you

por Alice, em 08.10.10

Olá Batman, como estás?

 

Passaram quase seis semanas desde que destroçaste o meu coração que te era devoto, que estava cheio de amor por ti.

Agora que este tempo todo passou, que não é muito, penso mais friamente em tudo o que aconteceu. Há uma coisa que vai ser sempre inatingível para mim, não há explicação que me faça entender melhor. Não entendo como podes dizer que me amas e que gostas de mim e que a tua vida não está mais fácil e mesmo assim, apesar de tudo isto, teres terminado a relação. É óbvio para mim que é  mentira, deixaste naturalmente de gostar, acontece... Dizes isso para que não me sinta mal? Como tive oportunidade de te dizer, acredito que quando se gosta, tenta-se e dão-se todas as oportunidades até à exaustão. Até que a luta acabe por derrotar o amor, até que o sentimento se extinga, como o fogo com falta de oxigénio. Tu, ao mínimo problema que se nos deparou optaste por pôr termino a tudo.  Não quiseste uma segunda oportunidade, não quiseste tentar resolver o problema, optaste pelo mais fácil. Terminar.

 

 

O inicio foi muito difícil. Foi como lançar-me sozinha para um sítio onde tudo é desconhecido, tudo é estranho. Lentamente adaptei-me. Com muita ajuda da minha amiga, com muita ajuda da minha família. Hoje em dia já rio e sorrio com vontade, não é forçado. As lágrimas já quase secaram e resta-me a memória ainda bem viva de nós e da nossa vida, mas essa também vai acabar por se tornar cada vez mais ténue.

 

Dizes agora que a tua vida não está fácil. Aparte os problemas que já existiam, ela está assim por opção tua. As soluções mais fáceis nem sempre são as mais acertadas. Por vezes é preferível fazer um desvio  do que meter o carro por uma estrada cheia de buracos e covas.

 

Escrevo-te hoje porque o Inverno chegou cedo. Estes dias de chuva e frio trazem-me à lembrança o sofá, a manta, os filmes, os gatos a dormirem, o chá quente e o teu abraço forte e apertado, como eu te pedia.

 

 

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...

por Alice, em 08.10.10

             

 

 

     Já Chega!!!!!

 

     Estou farta de chuva, mandasse eu no tempo e choveria só de noite... e muito de madrugada...

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As cartas para ninguém.

por Alice, em 08.10.10

Tenho em casa um baú especial. Tem as cartas que vou escrevendo aos amigos, à família, aos namorados e ex-namorados,  que nunca chegaram a ser entregues e nunca irão ser. São desabafos e declarações que me esvaziam a alma das alegrias e da tristeza do momento e que depois de seladas e guardadas ficam ali como testemunho de uma vida, a minha vida. 

A par dos  meus diários, são o que mais tenho de mais valioso. Nunca tive coragem para reler o que lá está. O passado deve manter-se lá fechado, tendo só no presente, vivas aquelas memórias que não saem da cabeça nem com a força do tempo.  E tenho medo que um dia, quando morrer, aquilo seja descoberto e seja lido. Mas não há muito a fazer quanto a isto...

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Passados e presentes.

por Alice, em 06.10.10

De vez em quando, de tempos a tempos tenho um passado que volta. Parece que sabe, adivinha. 

Chega de mansinho, com boa disposição, com bom humor. Assombra, acarinha, envolve. Depois parte de mansinho também, deixando o caos e a confusão na cabeça. Foi sempre assim, mas é bom, faz-me sentir viva.  

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