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A lenda dos tripeiros!

por Alice, em 06.04.09
No ano de 1415, construíam-se nas margens do Douro as naus e os barcos que haveriam de levar os portugueses, nesse ano, à conquista de Ceuta e, mais tarde, à epopeia dos Descobrimentos. A razão deste empreendimento era secreta e nos estaleiros os boatos eram muitos e variados: uns diziam que as embarcações eram destinadas a transportar a Infanta D. Helena a Inglaterra, onde se casaria; outros diziam que era para levar El-Rei D. João I a Jerusalém para visitar o Santo Sepulcro. Mas havia ainda quem afirmasse a pés juntos que a armada se destinava a conduzir os Infantes D. Pedro e D. Henrique a Nápoles para ali se casarem...
Foi então que o Infante D. Henrique apareceu inesperadamente no Porto para ver o andamento dos trabalhos e, embora satisfeito com o esforço despendido, achou que se poderia fazer ainda mais. E o Infante confidenciou ao mestre Vaz, o fiel encarregado da construção, as verdadeiras e secretas razões que estavam na sua origem: a conquista de Ceuta. Pediu ao mestre e aos seus homens mais empenho e sacrifícios, ao que mestre Vaz lhe assegurou que fariam para o infante o mesmo que tinham feito cerca de trinta anos atrás aquando da guerra com Castela: dariam toda a carne da cidade e comeriam apenas as tripas. Este sacrifício tinha-lhes valido mesmo a alcunha de "tripeiros". Comovido, o infante D. Henrique disse-lhe então que esse nome de "tripeiros" era uma verdadeira honra para o povo do Porto. A História de Portugal registou mais este sacrifício invulgar dos heróicos "tripeiros" que contribuiu para que a grande frota do Infante D. Henrique, com sete galés e vinte naus, partisse a caminho da conquista de Ceuta.
 
(Fonte:http://lendasdeportugal.no.sapo.pt/distritos/porto.htm)
 
Eu não sabia.....
 

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My little red book!

por Alice, em 06.04.09
6 de Abril de 2009, 15h.
 
 Já passou mais de uma semana desde a última vez que aqui escrevi... Não tenho tido vontade. E para além de não ter vontade ando a reconsiderar toda a minha vida... Depressão?  Insatisfação? O acidente deu-me muito que pensar. Uma semana no hospital, uma perna partida e três costelas amassadas, tudo fruto de uma acidente brutalmente estúpido e que por acaso podia ter consequências bem piores. Felizmente só partimos ossos.... A Magui está bem, por ir no banco de trás só tem pisaduras e o Carlos tem duas costelas partidas. 
 A vida é realmente fulminante, de repente vai-se como a água pelo ralo. Tenho 33 anos e ó que é que consegui até agora??  Um apartamento alugado, uma bicicleta nos arrumos e as aulas que me dão prazer, mas se este ano estou a fazer o que gosto, para o ano posso não ter onde ficar e vou para um supermercado fazer umas horas porque o senhorio não quer saber se tenho ou não dinheiro e emprego, ele quer é a renda paga no fim do mês......
Tenho saudades da minha família, a minha irmã veio ver-me, está grávida, parece que lá para Agosto vou ter uma sobrinha, a Cláudia. O meu cunhado foi despedido, a oficina fechou, está agora a fazer uns trabalhitos em casa. O meu pai e a minha mãe estão bem, andam a passear, gozar a reforma, no sábado do acidente tinham ido até ao Algarve, o tempo estava bom e eles lá foram... É assim uma velhice que queria ter, dinheiro guardado para poder gozar e usufruir um bocadinho do tempo que me resta após uma vida de trabalho e com alguém ao meu lado, viver toda a vida sózinhoé um pensamento que não me agrada... 

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Ensino obrigatório!!

por Alice, em 03.04.09
Os homens deviam ter formação obrigatória como mecânicos!!
 

 

 

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Caminhadas!!

por Alice, em 03.04.09
- Pssst Psssst
E ouvimos o  barulho de um carro ao nosso lado muito devagarinho.
-Pssst Pssst
-O que é isto?
-É aquele carro....
-Está a seguir-nos?
-Parece... O que fazemos?
-Olha, está ali um café aberto...
 Vamos para a porta do café. Não entramos, fazemos de conta que tocamos a uma campainha e pegamos no telemóvel para também fazer de conta que ligamos a alguém.
O gajo estava num Fiat Uno Branco a cair de podre e pôs-se a andar quando viu o que nós estávamos a fazer. 
Ainda ficamos por ali um bocado a decidir se pedíamos a alguém que nos fosse buscar ou se continuávamos com a nossa caminhada. Decidimos que íamos continuar mas, para prevenir, porque embora ele estivesse sozinho, podia ter ido buscar alguém ou até ter uma arma qualquer dentro do carro, nestes dias nunca se sabe, pegamos  num paralelo da estrada, dos pesados e numas pedras de calçada, se ele voltasse e se metesse connosco ia ter azar...
 

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A última lenda!

por Alice, em 02.04.09

                                              

 

Era para ali que ia todos os dias. Esperava  que  um  mortal reparasse nela, a ouvisse. Era a última daquela espécie que toda a gente julga ser mito.

Todas as outras sereias tinha optado pela mortalidade ao permitirem que um mortal as seduzisse e beijasse. Ao casarem perdem a imortalidade e deixam de poder comunicar umas com as outras, deixam de se poderem ver. Só um mortal macho pode e consegue ouvir e ver as sereias, de forma que ela estava ali, sozinha, e todas as noites subia áquele rochedo e contemplava as estrelas enquanto deixava que a dor a e a solidão fossem levadas pelo vento.

Tinha ajudado muitos marinheiros,  tinha evitado que navios se partissem contra aquela ilha rochosa. Tinha acenado por entre o nevoeiro a marinheiros incrédulos do que estavam a ver. Tinha visto a evolução naval, era uma adolescente mas na idade mortal, contava já com uns sábios 752 anos.

Aquela noite, que deveria ser como todas as anteriores em que ela se sentava e olhava para o  seu reflexo na mar, foi diferente. Na pequena enseada mais à frente viu  um bote. Movida pela curiosidade nadou até lá e escondeu-se entre as rochas. Viu-a... Muitos anos tinham passado e ali  estava ela , a companheira de muitas brincadeiras. Chorava!!! Estava velha, a idade tinha passado por ela como se os minutos fossem anos, chorava e dizia:

"Se me estiveres a ouvir Pharneleta, nunca permitas que um mortal te leve do paraíso que é o mar. Eu fui, deixei de vos poder ver, de vos poder falar. Não sei sequer se estás ainda aí, se ainda existe alguma de nós. A vida não é como nós aí ouvíamos falar, não é o que imaginávamos,  não é bela e apaixonada, não é alegre, não é boa. Aqui temos que trabalhar muito para podermos ter alimento, aquilo a que nós chamamos amor tem que ser cuidado diariamente para não terminar, aquilo a que nós chamamos paixão passa num abrir e fechar de olhos. Aqui há guerra, há fome, há desgraça, há morte. Aqui há uma coisa que chamamos Sorte e acredita que é precisa muita sorte para ter ao nosso lado um mortal que nos trate  bem, que não  nos bata, que não nos engane, que não nos minta. Sorte foi aquilo que...."

Pharneleta não quis continuar a ouvir, pela primeira vez chorou, a água salgada como o mar escorria-lhe pelo rosto, foi para o alto do rochedo e cantou. Cantou porque sabia que dali a pouco a  amiga ia morrer e dissolver-se na espuma branca do mar. Regressaria às origens!

Decidiu que para toda a eternidade ia ser a última sereia. Tinha todos os peixes e criaturas do mar como amigos, não estava assim tão mal.

 

(Texto escrito por Alice para a Fábrica de Histórias)

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