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Conheci-a em 1979, tinha ganho o Prémio Nobel da Paz.

Sempre senti uma profunda admiração por aquela Senhora e  o maior privilégio que tive na vida,  foi ter tido oportunidade de privar com ela durante aqueles três dias em que estive na Índia. 

A primeira sensação que tive quando me vi ao lado dela era o profundo sentimento de paz e sabedoria que emanava daquela mulher. Perante tamanha bondade senti-me pequenina, insignificante neste Universo. Uma mulher poderosa mas humana, com muitas dúvidas e com o coração repleto de amor para oferecer.

Contou-me que sentiu a vocação para se fazer missionária com doze anos ao ouvir um jesuíta missionário na Índia dizer que "Cada qual na sua vida deve seguir o seu próprio caminho". Ela tinha decidido naquele momento dar um sentido à vida dela e entregar-se aos outros. Casou com a verdade, com o amor, com a bondade, com os pobres e oprimidos, com a pobreza e com a miséria.

Durante toda a sua vida foi professora, enfermeira, mãe, pai, politica.
Em 1937, fez a profissão perpétua e adoptou o nome de Teresa em honra à monja francesa padroeira dos missionários. Cerca de dez anos mais tarde e perante muita insistência do Papa Pio XII, abandonou as suas funções de monja e iniciou uma nova congregação As Missionárias da Caridade. O hábito que adoptou, um sari azul e branco, escolheu-o por representar a pureza e a Virgem Maria. Como princípios adoptou o abandono de todos os bens materiais. Cada irmã só possuía um prato, um jogo de roupa interior, um par de sandálias, um pedaço de sabão, uma almofada, um colchão, um par de lençóis e um balde metálico.
Ensinou a ler e escrever crianças e adultos. Ensinou regras básicas de higiene num país onde a miséria e a imundice imperava, espalhou não a palavra de Deus mas a palavra dela e a sua confiança Nele embora algumas vezes abalada.
Dedicou a sua vida ao povo, a Deus, a fazer o bem. Não tinha preconceitos e nem sabia o significado desta palavra, aos olhos dela eram todos iguais, os leprosos, os cegos, os velhos, as crianças, os doentes com HIV.
Ouvi-a dizer a um enfermeiro: "O senhor não dá banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se dá banho a um leproso". Ele corou, calçou a luvas e foi para o lado dela. Tinha  força para motivar quem estava desmotivado. 
 
Durante a vida teve dúvidas, teve tentações, relatou-me um episódio:
"Um dia após dar voltas e voltas à procura duma casa, era preciso um tecto para acolher os abandonados, pus-me a caminho para o encontrar. Caminhei ininterruptamente, até já não puder mais. Então compreendi até que ponto de esgotamento têm de chegar os verdadeiros pobres, sempre em busca de um pouco de alimento, de remédio, de tudo. A lembrança da tranquilidade material de que gozava no convento de Loreto apresentou-se diante de mim como uma tentação”.
 
Questionou a existência de Deus, sentia falta das respostas dele, escrevia cartas com alguma regularidade a um conselheiro espiritual, numa delas escreveu :" Tão profunda ânsia por Deus e repulsa, vazio sem fé, sem amor, sem fervor. Se não houver Deus, não pode haver alma, se não houver alma então Jesus, você não é real" A miséria com que privava todos os dias levou-a a questionar a existência de Deus, mas passou.
 
Na altura eu gozava de uma boa vida em Portugal, tinha um bom emprego, uma boa casa, carro, máquina de lavar roupa, tinha empregada duas vezes por semana. Não fui para a Índia em missão humanitária, fui de férias, queria conhecer o Taj Mahal, passear. Lembrei-me uns meses antes de partir de tentar através dos conhecimentos do meu pai conseguir uma entrevista com ela e depois deste episódio posso dizer que a minha vida, o meu modo de vida mudou. Não fui capaz de lhe seguir o exemplo, não tive a força que ela teve, de se despojar de todos os bens materiais e de todas as comodidades que a vida oferece mas hoje vivo com bastante menos e vivo feliz. Foi uma bênção ter privado com ela. 
 
Nasceu Agnes Gonxha Bojaxhiu e ficou para sempre conhecida por Madre Teresa de Calcutá.
 
Que descanse em paz não como uma Santa mas como uma grande Mulher.
 
(História de ficção baseada em factos reais escrita por Alice para a Fábrica de Histórias)

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